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    July 09

    We’re just trying to repeat the history

    Não deixa de ser curioso como a Microsoft decide remover o browser do Windows 7 a comercializar na europa, uma espécie de provocação à UE pelos muitos processos que em que esta a tem envolvido e embrulhado (uma decisão claramente anti-consumidor, mas talvez a UE lhes peça para não o fazerem…), e vem agora a Google anunciar um novo sistema operativo baseado num kernel Linux, tendo como alvo, sistemas na classe dos netbooks, mas que pela descrição, não sendo um sistema operativo generalista, bem que se poderia enquadrar melhor na classe dos webbooks, já que a plataforma é o browser.

    Relativamente ao anúncio embora muito ainda se desconheça, alguns dos seus objectivos ficaram bem declarados:

    • Sistema operativo leve, rápido e seguro
    • Interface simples e minimalista
    • Sem aplicações nativas
    • A plataforma é o browser
    • Integração completa com os serviços Google
    • Projecto aberto a contribuições da comunidade
    • Arquitecturas suportadas x86 e ARM (esta última não é suportada e não parece gerar interesse à Microsoft)
    • Terá como alvos iniciais os netbooks
    • Parceiros interessados Acer, Adobe, ASUS, Freescale, Hewlett-Packard, Lenovo, Qualcomm, Texas Instruments
    • Disponível na segunda metade de 2010

    A ideia é interessante já que cria uma classe intermédia entre o smartphone e o PC, provavelmente hoje uma boa percentagem das pessoas que utiliza um PC com um sistema operativo generalista (Windows, Mac OSX ou Linux), poderia bem passar a usar um dispositivo desta classe.

    Praticamente são esperados dois grandes efeitos:

    • Trazer os developers para a plataforma da Google, medida essencial para pensarem ter algum tipo de sucesso, e é simultaneamente apelativo porque se trata de uma plataforma e um modelo simples e conhecido. Muito importante, a funcionar em TODAS as principais plataformas. Tentativa importante para tornar a plataforma aplicacional Microsoft menos relevante, e essencial se querem remover a dependência desta e facilitar qualquer tipo de mudança.
    • Gerar algum impacto no principal negócio da Microsoft, e tentar estancar investimentos desta, em áreas onde a Google baseia o seu negócio ou outras onde também está a competir e a investir

    O anúncio da Microsoft relativamente às diferentes versões do Windows 7 e o preço, ficaram aquém do que se esperaria principalmente no que respeita ao mercado dos netbooks, a Starter Edition existe, mas ninguém a quer porque a sua diferenciação para as restantes edições é garantida com demasiadas limitações, mesmo para o hadware a que se destina. É aqui que começa a oportunidade e a aposta da Google, criar uma solução mais apelativa do que a versão Starter Edition (até mais barata ;o)), e apostar que a Microsoft não consegue os upgrades esperados ou é obrigada a descer o preço para as edições mais interessantes, sendo obrigada a fazer o que não queria e com impacto, que pode ter alguma expressão no seu negócio.

    E o impacto não se espera tão significativo, porque o estabelecimento da plataforma aplicacional demora muito tempo a conseguir-se, no segmento empresarial estas mudanças são hoje mais dificeis de concretizar, mas se a Microsoft nada fizer para conter esta tentativa da Google, a mudança pode fazer-se, e aí a paisagem pode ser muito diferente daquela que temos hoje.

    O interessante é que a Google está mesmo apostada em provocar danos à Microsoft desde já, porque o anúncio é feito com mais de um ano de antecedência, e numa altura em que a Microsoft está a dias de anunciar o RTM do Windows 7 com o qual espera ter grande sucesso.

    A guerra pelo coração e mente dos developers já começou, a das parcerias será dura e difícil e vai também começar, o maior “valor” continua do lado da Microsoft essa é uma vantagem que lhe permite ainda aspirar vender sistemas operativos, mas com esta concorrência, e se existirem as aplicações, o preço tem inevitavelmente de ser revisto e ajustado, às vezes mais vale dar um passo atrás...

    Já agora e para que não haja dúvidas o Windows, Mac OSX e Linux são plataformas computacionais que vão continuar a ser muito importantes e as únicas a dar resposta aos requisitos de muitos cenários, mas a ideia aqui é fragmentar a base instalada de Windows. A Microsoft tentará puxar os requisitos e a experiência para patamares mais elevados e a Google tentará mantê-los bem baixo para que a comparação lhe seja favorável.

    Uma palavra final para o Internet Explorer, sinceramente não sei se não seria mais inteligente basear o IE no webkit, eu acho que seria um “ataque” inteligente, era voltar aos velhos tempos E&E e sempre se mantinha a concorrência bem próximo ;o)

    Dia 23 vamos já ver o que representam as ameaças Android e Chrome OS para a Microsoft.

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